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013 – 31 de março – “História Geral dos Tapetes Persas”, de al-Sherazade

O improvável porém óbvio nome de Raquel al-Fatihma Isfahan al-Sherazade encima essa pequena brochura de papel grosseiro publicada hoje no mercado de Asadabad no Irã. E esse nome [por incrível] não se trata de pseudônimo. A professora al-Sherazade [da Universidade Periférica de Tabriz] escreveu uma obra que [embora não exatamente inovadora] empresta nova vida a assunto agradável - todos gostam do belo, e os tapetes persas são belos. Não é isenta de deficiências, porém. A História Geral dos Tapetes Persas (تاریخ کلی قالی های ایرانی. no original) enfatiza demasiado dois entre as dezenas de tipos de tapetes. Um deles é o tipo Asadabad [o que explica a escolha dessa aldeia para o lançamento], e o outro o Nain. Que a professora aprecie aquele último explica-se: os tapetes Nain possuem amáveis arabescos de rosas que fazem deles o mais apreciado presente de quinze anos no Bazar de Teerã. Quando ao Asadabad [claramente o favorito da especialista] a explicação torna-se no mínimo ...

012 – 30 de março – “A saída é pelo teto”, de Serguei Yanukevitch Radist

Embora chegado às livrarias da rua Rashkolnikova em Kiev na Ucrânia apenas no dia de hoje,   “Вихід здійснюється через стелю - психологію негативу” – A Saída é pelo Teto – Uma psicologia da Negatividade foi reeditado a 18 de março. No mesmo dia em 2014 a poderosa Rússia engoliu a Criméia [uma parte da Ucrânia]. Em país ameaçado pelos   vizinhos, partido em guerra civil e com suas moças a querer desesperadamente casar-se com alemães, o professor Yanukevitch Radist, Phd., lançou obra para negar os problemas. Não se trata de resolvê-los, diz, mas de negá-los mesmo. Quem quer ser feliz comece a mentir para si mesmo – as pessoas têm consciência política, pensam no futuro, resolverão o Aquecimento Global e, de quebra, uma certa Giselle [que parece que é modelo, creio que lá pelos EUA] está [secretamente] apaixonada por mim. Diz o professor que a realidade não muda – e encará-la apenas causa úlceras e taquicardias. A mentira gera bom humor. Por que não esta última? A ...

011 – 29 de março – “Gehen Sie bitte ins Gefängnis!”, de Karl Alexander

O curioso [e diríamos incompleto] nome de Carlos Alexandre [ Karl Alexander ] – assim mesmo, sem sobrenome – identifica o autor deste que não pode ser visto mais que como uma caricatura em forma escrita. Ou não. Lançada originalmente em 1981, esta pequena obra se reimprime agora, com lançamento em Berlim, no bairro boêmio, em um boteco frequentado por garotas de tatuagem e meião, que chegam lá sem nenhum euro na bolsa e saem com vários, dados por cavalheiros que chegam sem companhia e que saem em companhia das ditas moças para hoteizinhos de alta rotatividade. E não se tratou só de truque de publicidade – a história [reconhecidamente idiota] de Gehen Sie bitte ins Gefängnis fala de um homem que se casou com uma mulher sem muito charme [chata] e isenta de atrativos [feia], e que, sentindo-se tapeado, telefona para a polícia levá-la embora, sem importar o motivo – ou seja, tudo a ver com o local de lançamento. A história termina com a rádio-patrulha a se afastar, sem que fique...

010 – 28 de março – “Sobrenome Cinderela”, de Hanne Ingeborg Askepott

Sobrenome Cinderela surpreende. Até mesmo pela [relativamente] pequena repercussão dada a esse lançamento não isento de qualidades. Apenas uma entrevista de meia página na Gazeta de Trondheim ( Trondheim Gazette ) deu-lhe o destaque à obra – que a autora decidiu lançar hoje, seu 26º aniversário. Não se trata de obra de ficção. Seu próprio nome no original em norueguês dá uma pista – Etternavn Askepott [o título do livro na língua norueguesa] foi motivado pelas experiências pessoais da autora – de fato, ela se chama, literalmente, Cinderela [ Askepott ]. O inevitável bullying experienciado ainda na escola a   motivou a escrever não só sobre as esperáveis gozações no recreio mas pelo significado – para a autora, Cinderela se trata de um emaranhado de símbolos – tanto mais sedutores quanto difíceis de decifrar. Uma bela moça obrigada a tarefas menores, um país que cometeu o erro de eleger um político medíocre, um músico genial sem reconhecimento ­­ – todos eles são, s...

009 - 27 de março – “Problema com o Prazer”, de Caroline Anne Stevens

A pequena La Fauxmagerie [curiosamente, de Londres] tomou um risco ao publicar essa pequena porém abrangente obra [e já afirmou que não será vendida na Amazon]. Em Problem with Pleasure a professora Anne Stevens enfrenta a questão da relação dos seres humanos com o que é gostoso. Começa por dizer que a profusão de dietistas e de regradores do comportamento moral deixam clara a pervasividade do assunto. Vai para o segundo capítulo, mais teorético, no qual refuta certas ideias, como a pulsão de morte freudiana, apodando-as de meras frases que não explicam nela. Adianta que nem ela se propõe a explicar. Na terceira parte afirma que há algo dark na natureza humana, que a faz desconfiar de tudo o que dá prazer – apesar de um temor [às vezes exagerado], da dor. Na seção última e mais controversa, afirma que essa tendência humana explica certas ações – o católico vê a garota sexualmente livre e fica [secretamente] feliz ao saber que ficou grávida – os trabalhos e despesas que te...

008 – 26 de março – “Solitário, desesperado...”, de Nouveau-Rousseau

Pode parecer pouco crível que a vetusta Maison Rousseau , na Grand Rue, 40 , em Genebra, tenha aceito ser palco do lançamento deste hard-cover ontem à noite, entre temperadíssimos salgadinhos veganos. Apesar de o autor do livro ser obviamente um pseudônimo, dois dos autores verdadeiros estavam lá – a se empanturrar com os referidos. Solitaire, désespéré, je ferai dans ma faiblesse ce que les forts ne font pas – “Solitário, desesperado, farei na minha fraqueza o que os fortes não fazem”, para além de seu quilométrico título, pode ser visto [com certa injustiça] como um pastiche. Trata-se de uma frase de Jean-Jacques Rousseau, talvez pensada em alguma caminhada à beira de lago ou em meio a seu ménage-à-trois com a Madame de Warens e outro cara – com Rousseau nunca se sabe muito, embora ele diga tudo. Consiste em fantasias [não merece outro nome] de o que o Mestre diria, diante de desafios em diferentes épocas. O verdadeiro morreu em 1778. Há um texto teoricamente escrito dur...

007 – 25 de março – “Memórias secretas de um Conde”, de Serguei Yulevitch Witte

Um velho frente a um grupo de homens poderosos (e irredutíveis). O Velho fala de guerras, de ruínas. Lamenta pelas pessoas que nascerão depois dele, pois viverão sem esperança. Tudo o que terão será a culpa, a vingança e o terror. “E o mundo será cheio de fanáticos – e tolos triviais”. Vai embora. E tudo segue como antes. Esta não é cena inicial ou final de Тайные воспоминания графа (Memórias Secretas de um Conde) lançado hoje em 17ª edição na Borders de Petersburgo. De fato, há [não infundadas] dúvidas de que Serguei Yulevitch, o Conde Witte, seja mesmo seu autor. Curiosamente, nos tempos da União Soviética o livro foi incluído no index de proibições por obscenidade, por algum censor que provavelmente só se deu ao trabalho de ler o título. O tal Conde Witte foi importante [ministro, primeiro-ministro] e tinha a tarefa inglória de lidar com um imbecil com megalomania hereditária [o Czar Nicolau II] e seus conselheiros [que conseguiam ser ainda piores]. O melhor da obra n...