014 – 2 de abril – “A Biblioteca Fantástica de Evaristo da Veiga”, talvez do próprio


De Evaristo Ferreira da Veiga e Barros sabe-se que colecionava inimigos. Contrário a Dom Pedro I, a José Bonifácio, à Imperatriz e [diziam os críticos] ao Planeta e ao Universo, o misto de jornalista e livreiro disparava petardos editoriais através do seu Aurora Fluminense. Elegeu-se com votação surpreendente [para gáudio dos antidemocratas, que afirmam que o povão sempre gostou de escândalo].

Dizia possuir uma Biblioteca Secreta para uso de seus inimigos. Esse fato [mencionado por Otávio Tarquínio de Sousa na página 51 da sua clássica biografia do autor] teve um passo a mais para sua prova através da publicação desta obra [em edição fac-símile]. A Biblioteca Fantástica... consiste em catálogo de livros, anotado e comentado por alguém [talvez o próprio Evaristo]. Constam títulos como Teoria das Mesuras ou da arte de sujeitar-se às circunstâncias [tema que pode, talvez, ser considerado universal]; Tratado do Perjúrio; Arte de Atrasar a Civilização; Governo das Mulheres [este desdobrado em um segundo volume denominado Ilha das Mulheres, que o próprio (pudico) comentador afirma ser estritamente proibido a pessoas que deem o mínimo valor à decência].

Resta a questão da existência das obras. Pode-se pensar [de maneira banal] que só existiram na cabeça de um ferino jornalista de oposição. Ou que existam mesmo, perdidas em algum sebo, para alegria dos donos dos mesmos, pois pode gerar um corrida a eles – embora hoje sejam quase todos virtuais.

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